Localizada a 15 km de Ilhéus e cerca de 480 km de Salvador, Olivença ganha um presente na famosa Festa do Mastro de São Sebastião, que termina esta semana. O Estado da Bahia decidiu pelo tombamento da igreja Nossa Senhora da Escada, situada na praça onde acontecem festividades de importância cultural para a região como a Festa do Divino, Festa de Nossa Senhora da Escada – padroeira da cidade – e a “Puxada de Mastro”.

O tombamento da igreja Nossa Senhora da Escada foi possível graças aos estudos de equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), órgão da Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA). Composta por historiadores, antropólogos, arquitetos, sociólogos, fotógrafos e museólogos, entre outros profissionais, a equipe realiza pesquisas de campo, coleta documentos e elabora justificativas, tudo reunido em dossiês que justificam os tombamentos. O decreto autorizando o tombamento da igreja de Olivença foi publicado no Diário Oficial no final de 2010.

“O tombamento não elimina a propriedade, nem as obrigações do proprietário para com o imóvel, mas, possibilita que eles tenham prioridade em financiamentos municipais, estaduais, federais ou até internacionais para restauração”, alerta Frederico Mendonça, diretor-geral do Ipac. O órgão também criou editais de patrimônio que já beneficiaram, de 2008 a 2010, 24 projetos com cerca de R$ 2,2 milhões investidos.

Para o relator do processo de tombamento da igreja, membro do Conselho Estadual de Cultura, arquiteto Pasqualino Magnavita, a edificação do final do século 17 e início do século 18 traz a marca dos aldeamentos jesuíticos na Bahia como singular exemplo do processo de dominação religiosa imposta às diferentes culturas nativas existentes no país.