O evento internacional de arte rupestre que começou na segunda-feira (23) e vai até esta quarta (25), na cidade de Lençóis, Chapada Diamantina (BA), reunindo mais de 200 pessoas, entre estudantes e professores universitários, guias de turismo, empresários de hotelaria, pesquisadores especialistas e arqueólogos brasileiros e estrangeiros, integra a consolidação das ações para a proteção do patrimônio arqueológico baiano.

“Hoje já comprovamos um significativo avanço das iniciativas que visam à conscientização do patrimônio arqueológico na Bahia, principalmente na região da Chapada Diamantina, onde se concentra a maior parte do acervo baiano de pinturas rupestres”, afirmou o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), Frederico Mendonça, durante a apresentação da mesa sobre "A Política de Gestão de Sítios de Arte Rupestre na Bahia".

O acervo arqueológico de todos os estados é um bem gerido e licenciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Ministério da Cultura (MinC), já que toda a riqueza do solo brasileiro pertence à União.

O Ipac, órgão da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), implanta ações que visam à sensibilização e conscientização de agentes públicos e multiplicadores municipais, como vereadores, professores, estudantes, líderes comunitários e até microempresários regionais da Chapada, em benefício do rico acervo de pinturas rupestres ainda existentes nesses municípios baianos.

“Não conseguiremos ações concretas sem a conscientização e participação efetiva das prefeituras, das populações locais e da iniciativa privada que explora o turismo cultural e ambiental nessa grande região da Bahia, e por isso é fundamental que trabalhemos em redes de cooperação com realizações mútuas, contemplando inclusive o pacto federativo que assegura a presença dos poderes públicos municipais, estadual e federal”, explicou Mendonça.

Cooperação técnica

Na palestra, o dirigente estadual destacou os acordos de cooperação técnica assinados este ano com os prefeitos dos municípios de Seabra, Iraquara, Palmeira, Lençóis e Wagner e o projeto das oficinas de educação patrimonial, que vem sendo realizado desde julho deste ano e se prolonga até setembro, beneficiando diretamente cerca de 1,5 mil multiplicadores em vários municípios da Chapada.

“O Ipac potencializa também o trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica da Universidade Federal da Bahia (Ufba/CNPq) e Instituto Júlio César Mello de Oliveira, que traz pesquisadores, estudantes e especialistas nacionais e internacionais para a troca de conhecimentos e pesquisa da arte rupestre, em especial, e do patrimônio arqueológico dessa região baiana”, disse o diretor-geral.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) também participou com o repasse de R$ 250 mil para o projeto realizado nesses meses pelos arqueólogos e para o encontro internacional de Lençóis. Além dos recursos, o Ipac disponibilizou uma equipe com educadores, fotógrafos e restauradores que participam das oficinas de educação patrimonial e viabilizou a vinda da mundialmente renomada arqueóloga Niède Guidon.

“Referência internacional respeitada por arqueólogos de todo o mundo, Niède Guidon desenvolve pesquisa de excelência no Piauí, onde concebeu o Parque Nacional da Serra das Capivaras e criou a Fundação do Homem Americano (Fundham), assegurando brilhantismo e conceituação máxima para esse evento” explicou Mendonça.

Debate

Estudantes, professores e pesquisadores tiveram a oportunidade de debater e ouvir a arqueóloga. Marcaram presença ainda alunos e mestres de universidades brasileiras e baianas, como a Ufba, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), entre outras. O evento realiza simultaneamente o 5º Seminário de Arte Rupestre da Ufba e a 3ª Reunião da Associação Brasileira de Arte Rupestre (Abar).