A Bahia apresentou, no primeiro semestre deste ano, uma expansão de 46,8% nas exportações em relação ao mesmo período de 2009. Na comparação entre junho de 2010 e de 2009, as vendas para o exterior tiveram aumento de 26,4%, de acordo com Núcleo de Comércio Exterior da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan).

O secretário do Planejamento, Antônio Alberto Valença, explica que a economia em expansão produziu um resultado extremamente positivo. “A Bahia obteve um superávit comercial de US$ 902 milhões, no período, 1,5% acima do primeiro semestre de 2009, e as exportações baianas representaram 4,7% das exportações brasileiras e 53,8% das exportações do Nordeste”.

O secretário lembrou ainda que após a implantação do Porto Sul, em Ilhéus, haverá uma melhoria logística e competitiva da economia da Bahia. Estudos indicam que apenas o Porto Sul deve movimentar 40 milhões de toneladas/ano, o que é compatível com as exigências das grandes rotas internacionais.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2010 e o mesmo período de 2009, as vendas para o exterior atingiram US$ 4,14 bilhões. O crescimento das vendas foi sustentado pelo fator preço, que se elevou em média 14,7% no período.

Os segmentos cujas vendas para o exterior mais cresceram foram petróleo e derivados (317,5%), produtos químicos e petroquímicos (64,1%), papel e celulose (36,2%) e automóveis (34,6%), principais produtos beneficiados pela recuperação econômica em dois dos principais clientes da Bahia, na área de manufaturados os EUA e a América Latina.

“A elevação nos preços dos produtos exportados e da demanda para os mercados dos Estados Unidos, China e América Latina impulsionaram o crescimento das vendas da Bahia”, justificou o diretor geral da SEI, Geraldo Reis. As vendas para o mercado americano aumentaram 88%, principalmente relacionada aos produtos óleo combustível, celulose, pneus e produtos químicos. Já as exportações para a América Latina tiveram expansão de 50% – automóveis, químicos, fios de cobre, óleo combustível e pneus.

As vendas para a China subiram 28,5%, o que colocou o país como segundo maior parceiro comercial da Bahia, atrás apenas dos Estados Unidos. “O menor crescimento para a China é resultado da redução dos embarques de soja após um período de grandes exportações, devido à recomposição de estoques pelo país asiático”, afirmou o coordenador de Comércio Exterior da SEI, Arthur Souza Cruz.

Desempenho de produtos do agronegócio

Embaladas por boas safras e valorização no mercado internacional, as exportações de produtos do agronegócio foram importantes no resultado do semestre, rendendo ao estado US$ 1,53 bilhão. O resultado é 21,2% superior aos US$ 1,26 bilhão de igual período de 2009, com destaque para a celulose (+36%), derivados de cacau (+32%), frutas (+67%) e fumo (+22%). Com a economia em expansão e ajudada pelo dólar baixo, as importações cresceram mais que as exportações (67,5%), alcançando US$ 3,24 bilhões nos seis primeiros meses do ano.

De acordo com a equipe do Núcleo de Comércio Exterior da SEI, a força da demanda interna e o câmbio valorizado fizeram disparar especialmente o volume de compras externas de bens intermediários (insumos como cobre, plástico e produtos químicos), que registraram alta de 61,3% nos primeiros seis meses do ano, de combustíveis (+165%) e de bens duráveis (como veículos e eletroeletrônicos), com aumento de 77,1%.

“As importações de bens de capital também subiram 75% no período, o que demonstra que as empresas estão investindo em modernização e aumento da competitividade”, enfatiza Arthur Souza Cruz.