Durante todo o dia, homens e mulheres trabalham na construção do Hospital Geral do Subúrbio, que está com 70% das obras concluídas. Previsto para ser inaugurado em julho deste ano, o hospital atenderá à população de bairros como Paripe, Águas Claras e Valéria, subúrbio ferroviário e municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Desde que a construção foi iniciada, em outubro de 2008, escutar o barulho das máquinas se tornou comum na vizinhança. Os moradores dizem não se incomodar e até gostam da movimentação dos 539 trabalhadores da construção civil espalhados pela área total do hospital, de 45.500 metros quadrados, tendo como área construída 19 mil.

“É música para os meus ouvidos. Com este hospital, quando alguém da família ou amigo ficar doente, não iremos precisar ir pra longe. Dá pra vim andando, porque minha casa é logo ali, praticamente do lado”, afirmou a profissional de serviços gerais Simone Silva Azevedo, 25 anos, moradora há 17 anos do Loteamento Colina III de Periperi e mãe de dois filhos. Ela acredita que o hospital vai atrair outros tipos de melhoria à localidade, como pavimentação e transporte.

Para atender à população, o hospital vai dispor de 268 leitos, entre UTI adulto, UTI pediátrica, queimados, unidades semi-intensiva adulto e pediátrica, internação adulto, internação pediátrica, ambulatório (dez consultórios), urgência/emergência adulto e pediátrica, centro cirúrgico (oito salas), unidade de bioimagem, raios X, tomógrafo, ultrassonografia, endoscopia e eletrocardiograma, laboratório, central de material esterilizado, lavanderia, farmácia centralizada, serviço de engenharia clínica, serviços de fisioterapia, nutrição, dietética, farmácia e apoio logístico.

“A gente precisa deste hospital, porque a população daqui é muito grande e necessita de um serviço de saúde de qualidade. Somos obrigados a nos deslocar para o Caribé ou até pra mais distante, como o HGE. Depois de pronto, só precisaremos atravessar a rua. Tenho certeza que tudo ficará melhor”, disse o comerciante Manoel Francisco Ramos dos Santos, 40 anos, morador de Nova Constituinte.

Desafogar o HGE

Em visita às obras do hospital, o governador Jaques Wagner destacou que o investimento de R$ 45 milhões vai desafogar o Hospital Geral do Estado (HGE), beneficiando um milhão de pessoas do subúrbio ferroviário e bairros adjacentes.

“Precisamos de mais um hospital em Salvador que atenda à grande demanda, principalmente de pacientes transferidos do interior, desafogando o HGE. Estamos estruturando outros hospitais no interior, mas, é claro, que o atendimento em Salvador é sempre maior. Este hospital terá 268 leitos, enquanto o HGE tem 160, ou seja, uma capacidade maior de atendimento. E isto era necessário para oferecer mais conforto às pessoas”, explicou o governador.

O secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, observou que o hospital só não vai atender obstetrícia e neonatolologia, porque esses procedimentos ficarão no Hospital Batista Caribé, que sofrerá algumas adequações quando o Hospital do Subúrbio estiver funcionando.

Solla disse que a unidade vai funcionar com internação domiciliar e será o primeiro hospital público de emergência da Bahia a ter emergência cardiovascular 24 horas. Será também o primeiro até um heliporto, facilitando o deslocamento de pacientes de outras regiões. Além de ter uma localização estratégica, porque é no subúrbio, mais próximo da BR-324, facilitando o acesso de pessoas do interior.

Parceria Público-Privada

O secretário declarou que o novo hospital será administrado pelo consórcio formado pelas empresas Promédica (baiana) e Dalkia (francesa), vencedoras da licitação para Parceria Público-Privada (PPP), reduzindo os custos do Estado. O grupo tem como responsabilidade equipar e manter o hospital por dez anos, contratar pessoal e adquirir equipamentos, assegurando mais rapidez no atendimento das necessidades da unidade.

De acordo com a secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, esta é a primeira PPP na área de saúde pública hospitalar do Brasil. Ela ressaltou que a parceria foi realizada visando à qualidade no atendimento. “O subúrbio merece um hospital que ofereça um atendimento de qualidade, que fique mais próximo da população. O nosso esforço é ampliarmos os hospitais do interior para desafogar os de Salvador, mas este é um hospital de especialidade e a tendência é que a demanda seja maior”, afirmou. O pagamento máximo anual pelos serviços prestados será de R$ 103,5 milhões e terá como requisitos metas de qualidade e quantidade.

Geração de emprego

O pedreiro Carlos Alberto Nascimento, 46 anos, morador de Periperi, é um dos 539 contratados para a construção do Hospital Geral do Subúrbio. Casado e pai de quatro filhos, sendo que um sofre com a diabetes, ele contou que por causa de sua idade acreditava que seria difícil entrar no mercado de trabalho, e quando conseguiu ficou emocionado por fazer parte do quadro de funcionários responsáveis pela construção do hospital, não apenas por ter conquistado o emprego, mas por ser uma obra importante para a população do subúrbio. “Tudo que faço aqui é com amor. Trabalho com amor neste hospital, porque sei que trará muitos benefícios para nós suburbanos e que pode servir a mim e à minha família. Não há dinheiro que pague isso”, disse.

Outro que está feliz com o novo emprego é o ajudante de pedreiro José Mário de Jesus, 25 anos, que há um mês foi incorporado às obras do hospital. “Estava há seis meses desempregado, deixando currículo em construtoras e em canteiros de obra, mas nada de bom acontecia. Até que resolvi deixar o meu currículo no Sine e me chamaram pra ocupar a vaga. Estou mais tranquilo agora com esse emprego”, contou.

Quando o hospital estiver funcionando, serão gerados mais de 1.600 empregos diretos, entre médicos, enfermeiros e administradores. É o que espera Evonice Santos Souza, 36 anos, que concorre a uma vaga para limpeza e rejunte de piso. Com o currículo na mão, ela destacou que vai conquistar o emprego. “Tenho fé e vou conseguir. Acredito que vamos permanecer trabalhando quando o hospital estiver funcionando”, enfatizou.

Investimentos em saúde

De 2007 até agora, já foram entregues mais de 300 novas unidades, e até o fim do ano serão 400 novas USF, beneficiando mais de 1,4 milhão de baianos. São cerca de 1.100 novos leitos, sendo que 50% já estão funcionando.

Além do Hospital Geral do Subúrbio, está em construção, com previsão para ser inaugurado este ano, o Hospital da Criança, em Feira de Santana. Três hospitais regionais receberam atenção do Estado: o de Irecê foi recuperado, ampliado e adequado para o atendimento de alta complexidade, o de Juazeiro foi construído e o de Santo Antônio de Jesus teve suas obras concluídas e foi totalmente equipado.

Serão iniciadas ainda este ano as obras do hospital de Seabra e a construção do hospital de Teixeira de Freitas, em parceria com a prefeitura, e o hospital de Eunápolis será equipado. A saúde bucal também teve avanços, com mais 402 equipes garantindo ações e serviços odontológicos para mais de 1,3 milhão de baianos.

Publicada às 12h30
Atualizada às 13h30