Este é o ano para o produtor transformar o cacau em chocolate. Por isso, a Associação dos Produtores de Cacau (APC), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, vai inaugurar, ainda neste semestre, uma unidade produtora de chocolate, na Ceplac, para iniciar o processo de industrialização do cacau.

“Estamos trabalhando para alcançar novos mercados na Europa e na Ásia, especialmente na China”, afirmou o presidente da APC, Henrique de Almeida, durante palestra sobre “Novos Mercados de Cacau e Chocolate”, que realizou, nesta quinta-feira (4), no 2º Seminário Sustentabilidade Econômica e Ambiental da Cacauicultura, no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no município de Gandu.

Segundo o secretário da Agricultura, Roberto Muniz, a China representa um enorme mercado para o chocolate baiano. Por isso, o Governo do Estado vem conversando com o mercado chinês para iniciar as exportações. Ele destacou que o município tem organização na base produtiva e será colocada em funcionamento, o mais rápido possível, a fábrica de chocolate que está sendo montada na Ceplac, na estrada Ilhéus/Itabuna. O projeto de uma fábrica de chocolate em Gandu, para ser operada pela Cooperativa Agrícola, foi apresentado pela Seagri ao BNDES, onde se encontra em fase de análise.

No seminário foi lançado o Programa de Inovação Tecnológica, elaborado em parceria do Instituto Cabruca com a Seagri (Ebda e Adab), a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), a Ceplac e o Instituto Tecnológico de Alimentos (Ital-SP).

“Conseguimos a aprovação do programa pelo CNPQ-MDA”, disse o presidente do Instituto Cabruca, Durval Libânio, acrescentando que nos próximos dias será realizado, com o Ital, um curso de qualidade para os produtores de cacau.

Durval Libânio destacou que o seminário teve também o objetivo de despertar o produtor para a importância da qualidade e da necessidade de agregar valor ao cacau. “Para isso vamos criar o “Padrão de Qualidade Gandu”, um selo de certificação socioambiental – Rainforest -, que será conferido pela Imaflora, uma ONG de Piracicaba.

Gandu é hoje um dos maiores produtores de cacau da região e o único município que possui uma cooperativa organizada, ligada a uma cooperativa de crédito. “Temos um arranjo produtivo local, com a participação do sindicato rural, cooperativa de produtores e cooperativa de crédito, que pode servir de modelo para outras regiões”, disse o presidente do Sindicato Rural de Gandu, Renato Dias Souza. A Cooperativa de Gandu, com 730 cooperados, exporta, há três anos, amêndoas de cacau para a França e Itália.