As diretrizes, os cronogramas e as metodologias de trabalho para a execução de nove projetos para implantação de tecnologias sustentáveis de armazenamento e captação de água de chuva no semiárido baiano para 1.437 famílias são apresentados até esta quarta-feira (17), no auditório da Organização Fraternal São José, no bairro de Boa Viagem, em Salvador.

O Seminário de Planejamento para o Projeto Aguadas, desenvolvido pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), em parceria com organizações conveniadas, foi aberto na manhã de terça-feira (16), com a presença da secretária estadual da Casa Civil, Eva Maria Chiavon, e do diretor-geral do Ingá, Julio Rocha.

O evento conta com a participação de mais de 70 pessoas ligadas às nove ONGs executoras do projeto, ao Ingá, à Articulação do Semiárido (ASA) e à Superintendência de Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura da Bahia (Suaf).
Além do planejamento das atividades e do aprofundamento nas questões políticas e técnicas do Projeto Aguadas, o encontro promove a qualificação dos integrantes das entidades conveniadas em relação aos processos gerenciais administrativos para a gestão dos recursos governamentais do projeto.

O Projeto Aguadas está orçado em R$ 8,2 milhões e capacitará 7.300 pessoas no semiárido baiano até este ano para desenvolver tecnologias simples de armazenamento de água de chuva e disponibilizará água para consumo humano e dessedentação animal no período de seca, garantindo condições dignas de vida para as comunidades de 69 municípios de 16 territórios de identidade. 

Para a secretária da Casa Civil, o caráter participativo do Projeto Aguadas é uma mostra da nova cultura do Estado, na qual a população tem direito de compartilhar dos processos políticos e administrativos. Uma das organizações selecionadas em chamada pública para a execução das tecnologias do Projeto Aguadas é o Centro de Assessoria do Assurá (CAA). Com mais de 20 anos de experiência em projetos de convivência com o semiárido, a ONG atuará em 16 municípios nas territórios do Velho Chico, Chapada Diamantina e Irecê. 

“Implantaremos tecnologias de barreiras de trincheiras, limpeza de aguadas, cisternas para captação de água de enxurrada e barreiros de 80 horas (maquinário comunitário para dessedentação animal para 30 famílias)”, explicou o coordenador do CAA, Jailson Francisco. Ele destacou que primeiro será feita uma mobilização com comissões municipais de recursos hídricos, para em seguida dar início ao processo de seleção das comunidades que serão contempladas pelo Projeto Aguadas.

Tecnologias
As aguadas são obras de baixo custo e fáceis de serem apropriadas e manejadas pelas comunidades, com pouquíssimo ou nenhum impacto ambiental, para garantir o aproveitamento máximo das águas de chuva que caem no semiárido durante o ano para consumo humano e animal. 

O Projeto Aguadas implantará, até o final deste ano, 620 barreiros-trincheira, 130 cisternas de enxurrada, 32 bombas-d’água populares e 322 aguadas revitalizadas. São exemplos das tecnologias pequenas trincheiras de pedra para represar água de córregos, poços tubulares que utilizam bombeamento popular, feito manualmente, sem gasto de motor e energia, e pequenos tanques construídos em afloramentos de água através da escavação da terra para armazenamento da água de chuva. 

Há também a limpeza de tanques construídos em afloramentos de água, por meio da escavação da terra para armazenamento da água de chuva. Estas tecnologias serão desenvolvidas em pequenas propriedades, distribuídas em 69 municípios de 16 territórios de identidade do estado, em parceria com as comunidades, que serão capacitadas para utilizar e manejar as aguadas e cuidar da sua conservação.