Avaliar a criação de zonas francas de produtos brasileiros na África e de africanos no Brasil, promover políticas públicas que intensifique o transporte aéreo e expandir programas de intercâmbio de capacitação tecnológica. Essas são algumas das recomendações apontadas pelos participantes do Colóquio Brasil-África, em documento que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com objetivo de aprimorar a relação com o continente africano.

O documento foi aprovado, nesta terça-feira (27), em Salvador, ao final do Colóquio que reuniu 400 participantes entre dezenas de embaixadores africanos, representantes do setor empresarial, o ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Marco Farani.

Além das conferências e palestras, quatro painéis relativos aos temas de Cooperação Brasil-África, Investimentos e oportunidades de negócios, Desenvolvimento Social e Diálogo e Participação da Sociedade Civil foram realizados para a reformulação das recomendações.

O presidente da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros (Anceabra), João Bosco, ressaltou a importância do Colóquio na afirmação de uma política de desenvolvimento para os dois lados. “O governo federal tem construído uma nova conjuntura junto à África, na qual foram enviadas mais de 28 missões brasileiras ao continente africano, traduzidas em oportunidades de negócio e desenvolvimento”.

Com o slogan “Só podia ser na Bahia”, por ser um continente reconhecidamente essencial para a formação da identidade cultural do estado, o colóquio foi apontado pelos empresários baianos como uma grande oportunidade da Bahia ampliar as relações econômicas e sociais com a África. “Todos eles vieram dispostos e acreditando no diálogo de resultados como realmente aconteceu”, destacou Wilson Andrade, presidente do Sindicato de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras), que congrega as empresas baianas nas áreas de fibras naturais, principalmente sisal, algodão e coco.

Segundo Andrade, o setor movimenta cerca de U$ 6 milhões de dólares por mês em negócios com o continente africano, relação que está sendo ampliada como na instalação de uma indústria baiana de castanha de caju no Benin – fruto de uma viagem do governador Jaques Wagner ao país – e de acordos de cooperação. “Com a África do Sul temos um acordo de cooperação e de troca de experiências. Ensinamos a reutilização dos resíduos do sisal para alimentação de animais, enquanto aprendemos a utilizar o sisal na produção de tequila”.

Realizado em parceria entre o governo da Bahia e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Colóquio marca o primeiro trabalho do Conselho de Desenvolvimento Econômico da Bahia (Codes).

Inspirado no primeiro, o conselho será um espaço institucionalizado de discussões entre o governo e diferentes atores sociais, com o objetivo de promover, organizar e acompanhar os debates relativos ao desenvolvimento econômico e social do estado.