O Governo da Bahia, por meio do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), está investindo aproximadamente R$ 20,5 milhões na revitalização das bacias hidrográficas de todo o estado, com a recuperação de nascentes e matas ciliares, por meio de dois programas – o Projeto Oeste: Proteção das Águas, que prevê a recuperação ambiental das subbacias do Corrente, Grande e margem esquerda do Carinhanha, e o Programa Estadual de Recuperação de Matas Ciliares, que contempla a recuperação ambiental de nascentes e matas ciliares em todas as bacias do estado.

O Projeto Oeste visa à recuperação de matas ciliares na região oeste do estado, especificamente nas bacias hidrográficas dos Rios Grande e Corrente, afluentes do Rio São Francisco, em um investimento de R$ 19 milhões, executado entre abril de 2009 a junho de 2011.

O objetivo é promover ações de controle de processos erosivos focando objetivos delineados no Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, em consonante com as diretrizes do PAC Revitalização e as diretrizes dos planos diretores de recursos hídricos e o Programa Velho Chico Vivo.
Estão previstos o cadastramento e soluções dos problemas ambientais da região, que variam de desgaste de matas ciliares à voçoroca (erosão em solos sem vegetação que assoream os rios), que na região chegam a dois quilômetros de distância.

São duas etapas, com 51 projetos para serem implantados nas bacias dos Rios Grande, Corrente e na margem esquerda do Rio Carinhanha.
Levantamentos em campo da realidade local e em parceria com as comunidades atingidas, vai elencar as prioridades em termos de recuperação de áreas degradadas existentes (matas ciliares, topo de morro e nascentes).

Elas serão executadas em áreas de remanescentes quilombolas, territórios indígenas, assentamentos, áreas com predominância de agricultura familiar, de preservação e com forte ação antrópica, nos municípios de Angical, Barreiras, Cocos, Canápolis, Coribe, Correntina, Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Santa Maria da Vitória, Santana, Santa Rita de Cássia, São Desidério, Baianópolis, Catolândia, Tabocas do Brejo Velho, Cotegipe, Cristópolis, Mansidão, Wanderley, São Félix do Coribe, Jaborandi, Barra e Butirama.

Revitalização ambiental

O projeto é dividido em três momentos. O primeiro, de identificação e cadastramento – diagnóstico da situação. O segundo, de apresentação da proposta. O terceiro, de solucionar os problemas. O cadastramento das áreas afetadas já foi feito. Um grupo de técnicos do Ingá, autarquia da Secretaria do Meio Ambiente, fez visitas nas comunidades para sensibilizar e conscientizar a população sobre a preservação ambiental.

Como meta, também está a inserção dos povos e comunidades tradicionais no processo de revitalização ambiental do oeste. Segundo Vanja Brito, gestora ambiental do instituto, a inserção do programa nas comunidades tradicionais é de vital importância para o seu sucesso. “As áreas onde o programa será instalado é habitada por povos tradicionais e grandes empresários. Se nós conseguirmos conscientizar as comunidades, vamos iniciar um efeito positivo de educação ambiental, que atingirá os empresários, responsáveis por impactar as comunidades tradicionais”.

Ela explicou também que a inserção dos municípios da Bacia do Rio Corrente no programa é um ponto necessário, já que a região tem um histórico grande de problemas ambientais, com “uma ação humana muito grande. Processos como de irrigação, que utilizam, de forma muito irregular, as águas da região, precisam ser readequados para sua melhoria ambiental”.

Já o Programa Estadual de Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares prevê a abertura de editais de chamada pública para prefeituras e instituições de todo o estado apresentarem projetos de recuperação no valor de até R$ 50 mil, cada.

O investimento total do programa é de R$ 1 milhão e o objetivo geral é conservar, restaurar e recuperar matas ciliares e nascentes nas bacias hidrográficas, visando a manutenção da disponibilidade das águas dos rios.

Estudos do Ingá mostram que às margens dos 369.589 quilômetros da malha hidrográfica do estado, existem aproximadamente 2,6 milhões de hectares de mata ciliar, o que corresponde a 4,7% do território baiano.

Matas Ciliares

As matas ciliares são fundamentais para o equilíbrio ecológico, oferecendo proteção para as águas e o solo, reduzindo o assoreamento de rios, lagos e represas e impedindo o aporte de poluentes para o meio aquático. Durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que afetam o planeta.

Esse tipo de vegetação forma corredores que contribuem para a conservação da biodiversidade, além de fornecer alimento e abrigo para a fauna e de constituir barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças da agricultura.

O replantio das áreas de mata ciliar é uma necessidade, devendo ser implementado com espécies nativas, observando um nível adequado de diversidade biológica para assegurar a restauração dos processos ecológicos, condição indispensável para o desenvolvimento sustentável.