Buscar soluções para o uso, em larga escala, da glicerina resultante da produção de biodiesel. Esse foi o objetivo da reunião realizada, nesta quinta-feira (12), entre pesquisadores baianos e empresários da área de biodiesel, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Hoje a demanda nacional de glicerina é estimada em 23 mil toneladas por ano, mas a produção ultrapassa as 120 mil toneladas/ano, o que tem causado um acúmulo da substância nas usinas produtoras de biodiesel.

De acordo com a diretora de Fortalecimento Tecnológico e Empresarial da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Telma Cortes, o Brasil ainda precisa evoluir em pesquisa para encontrar alternativas economicamente viáveis para o aproveitamento da glicerina. “O país evoluiu muito nos últimos anos em relação aos biocombustíveis, mas ainda existem gargalos na área científica que precisam ser solucionados”, explicou Telma.

Na reunião foram apresentadas alternativas para evitar o estoque deste produto a partir do seu uso no setor de cosméticos, na construção civil, nutrição animal e até mesmo na queima como combustível.

Para o técnico Sênior da Petrobras, Humberto Guanais, o mais importante é buscar o fomento ao uso nobre da substância. “Existem diferentes graus de pureza da glicerina. Quanto mais pura, mais valor agregado possui, podendo inclusive ser exportada para uso na indústria de cosméticos”, explicou.

Guanais informou ainda que uma tonelada de glicerina bruta tem o preço estimado em R$ 100. “Já a glicerina bidestilada pode chegar a ser vendida para o exterior por R$ 1.300, mas não existem no Brasil empresas que deem conta do volume que está sendo produzido”, completou o técnico.

Uma das alternativas apontadas na reunião para fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico é o incentivo a linhas de pesquisas que busquem soluções para o uso nobre da substância.

O superintendente da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Paulo Fontana, destacou a disponibilidade de 1,5% dos recursos da instituição para inovação tecnológica, indicando que parte dessa verba poderia ser utilizada para alavancar pesquisas nessa área.

De acordo com o diretor de Inovação da Fapesb, Elias Ramos de Souza, existe também a possibilidade de uma parceria entre a Petrobras e as universidades baianas para estimular a implantação de uma infra-estrutura laboratorial utilizando recursos do Fundo CT Petro.

Souza explicou que na reunião foi criado um grupo de trabalho que envolve a Secti, a Fapesb, a Sudene e o Banco do Nordeste (BNB) para definir um plano diretor de financiamento de pesquisas para o uso da glicerina.