O Hospital Central Roberto Santos (HCRS), no Cabula, terá mais 20 leitos de terapia semi-intensiva pediátrica, específicos para atender pacientes mais graves, sobretudo em casos suspeitos de dengue na população infantil. O anúncio foi feito pelo secretário da Saúde do Estado, Jorge Solla, nesta sexta-feira (20), durante reunião na Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).

O encontro, que teve como objetivo avaliar a atual situação da dengue na Bahia, além de definir estratégias para o reforço das ações de controle da dengue e ampliação da assistência aos pacientes com sintomas suspeitos da doença, contou com a presença do secretário municipal de saúde de Salvador, José Carlos Brito; diretores de unidades hospitalares e de pronto atendimento de Salvador, e técnicos das vigilâncias epidemiológicas do estado e do município de Salvador.

Além da implantação da nova unidade de terapia semi-intensiva pediátrica do HCRS, Solla disse que estão sendo mantidos entendimentos para ampliação da retaguarda de leitos hospitalares nos hospitais Martagão Gesteira, Professor Edgar Santos (Hospital das Clínicas), Santo Antônio e Santa Isabel.

“Hoje, nossa principal preocupação é garantir o atendimento precoce e adequado aos casos suspeitos de dengue, principalmente nas crianças, que concentram a maior parte dos casos da doença”, ressaltou o secretário, lembrando que a Bahia convive com epidemias de dengue há 15 anos, mas as crianças não eram a principal preocupação.

Peculiaridades da cidade de Salvador que tornam mais difícil o controle da dengue, como as condições climáticas e as desigualdades sociais, foram mencionadas pelo secretário municipal de Saúde, José Carlos Brito, que anunciou a entrada em funcionamento, no próximo dia 5 de março, do Disque Dengue, e a aquisição de mais veículos para atender eventuais chamados da população.

Brito falou ainda sobre a intensificação do trabalho de outros órgãos municipais envolvidos na limpeza pública, dragagem e limpeza de canais e garantiu que unidades de Saúde da Família funcionarão em regime de plantão de 24 horas, para atender aos casos suspeitos de dengue, caso seja necessário.

Ação Conjunta

Para o secretário Jorge Solla, a fim de enfrentar uma possível epidemia de dengue em Salvador, ampliar a assistência, melhorar o diagnóstico e aumentar a capacidade de atendimento são algumas das prioridades. Reafirmando que as crianças estão mais expostas a riscos, o secretário informou que o Estado já vem intensificando as ações de combate à dengue em vários municípios, sobretudo naqueles que concentram o maior número de casos, como Jequié, Itabuna e Porto Seguro.

A qualificação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de campanhas de conscientização para a importância da eliminação dos focos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, voltadas à população foram apontados pelo secretário Jorge Solla como importantes medidas a serem adotadas pelas secretarias da Saúde do Estado e do Município.

“Se cada um de nós fizer o dever de casa, eliminando os criadouros do mosquito, vamos conseguir reduzir os índices de infestação predial e desse modo, manter a doença sob controle”, disse Solla, convocando a população para que nesse Carnaval, antes de ir para a festa, “faça um “faxinaço” em suas residências”.

O secretário municipal de Saúde, José Carlos Brito, adiantou que a reunião desta sexta (20) “deve ser a primeira de muitas reuniões”, e que “Estado e Município vão continuar atuando conjuntamente para evitar que Salvador enfrente uma epidemia e registre mortes por causa da dengue”, acrescentando ainda que “é preciso lembrar que o poder público não pode vencer a batalha sozinho, é preciso que a população colabore e faça a sua parte, eliminando os possíveis criadouros do mosquito”.