O 1º Curso de Primatologia de Campo Mata Atlântica, depois de 20 anos sem cursos de campo em primatologia no país e a primeira vez no Nordeste, está sendo realizado na Reserva Ecológica Michelin (Ituberá/BA) até segunda-feira (9).

Segundo a coordenadora pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Romari Martinez, o curso representa uma iniciativa capaz de atender a parte de demanda por formação de um fragmento profissional de grande valor para a conservação dos recursos naturais do Brasil.

“Creio que a médio prazo esta atividade se consolide no âmbito nacional e seja referência acadêmica e científica a nível internacional, mostrando o que há de melhor na primatologia brasileira às novas gerações de cientistas e à comunidade mundial”, afirmou Romari.

O professor adjunto da Universidade Federal de Goiás e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Fabiano Rodrigues de Melo, da Universidade Federal de Gramado, disse que os macacos desempenham um papel fundamental na manutenção da vida na floresta.

“São dispersores de sementes. Eles são quase que plantadores de árvores. Comem um fruto e quando defecam a semente está pronta para germinar e reflorestar em áreas que estão sendo perturbadas naturalmente ou pelo homem”, explicou Melo.

Brasil, o país dos primatas

O professor destacou que o Brasil é considerado o país dos primatas, “porque existem muitos ambientes florestais aqui e há alguns milhares de anos esses ambientes se tornaram florestas luxuriantes, com uma complexidade muito grande de habitats”. E acrescentou que a Uesc está num ambiente privilegiado, “próximo a uma reserva natural em Una, numa área onde restam fragmentos da Mata Atlântica, que deve ser preservada”.

O curso reúne 21 alunos, biólogos e veterinários, representantes de 15 estados brasileiros. Além da Uesc, participam como promotores a Sociedade Brasileira de Primatologia, o Instituto de Estudos Socioambientais da Bahia (Iesb), a Associação Pro-Muriqui e o Centro de Estudos Ecológicos e Educação Ambiental (Ceco).