Com uma equipe que inclui o ator Lázaro Ramos, o diretor Fernando Guerreiro, a cantora Margareth Menezes e o iluminador Peter Gasper, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia apresenta até o dia 12 de fevereiro, em Salvador, "Terreiro d´Yesu", espetáculo que mistura efeitos visuais, música e dramaturgia para antecipar ao público a nova iluminação do Pelourinho, prevista para estar totalmente implantada em julho de 2009.

O espetáculo tem duração de 25 minutos, no Terreiro de Jesus (Pelourinho), com apresentações diárias em duas sessões abertas ao público, às 19h e às 21h. A iniciativa é uma realização do Governo do Estado da Bahia e da Secretaria de Cultura, através do IPAC e do Escritório de Referência do Centro Antigo, com execução da Cité Luz S/A.

"Terreiro d´Yesu" é uma nova versão dos espetáculos de Som e Luz tradicionais, que em geral trazem uma narração contando a história das estátuas e prédios apresentados. No caso da montagem baiana, a narração é interrompida para ceder lugar a uma encenação dramatúrgica que tem os próprios monumentos como personagens. Sendo assim, o que o público verá é uma história com diálogos entre os cartões-postais do Largo do Terreiro de Jesus, como a Catedral Basílica, a Igreja de São Domingos, a Igreja de São Pedro dos Clérigos, a Faculdade de Medicina e a Cantina da Lua, entre outras personagens.

"Esta montagem tem dois diferencias em relação aos espetáculos de Som e Luz", distingue o diretor Fernando Guerreiro. "Primeiro, mexe com um tema sociopolítico, e não apenas histórico; segundo, a inclusão da dramaturgia. Para falar de um tema específico, não podia ser só uma narrativa histórica, tinha que ter uma trama".

A ideia de dar ao espetáculo um caráter teatral e dramatúrgico foi do diretor de teatro e secretário estadual de Cultura, Márcio Meirelles. Segundo ele, a ideia era fugir da obviedade desse gênero de montagem e gerar uma discussão mais ampla sobre o patrimônio local, inclusive a participação popular na sua preservação. "Foi o povo que sempre manteve isso aqui", afirma Meirelles.

O roteiro do espetáculo é de Sérgio Cerviño Rivero e reflete as relações "político-poéticas" mantidas pelas representações simbólicas das edificações existentes no Terreiro de Jesus, podendo ser considerado uma fábula inspirada na cultura negra – que mistura humor e poesia para falar sobre poder, Pelourinho e seus moradores, preconceitos e urbanidade.

Todo o arsenal envolvido, unido à dramaturgia da encenação, torna a iniciativa inteiramente diferente de tudo que já foi feito nessa área na Bahia (já foram realizados espetáculos de Som e Luz no Solar do Unhão e Igreja de São Francisco). "Toda a técnica e o aparato técnico estão em diálogo direto com o processo artístico. É uma interface entre várias linguagens, cada uma com suas especificidades e participação essencial para o resultado", observa Guerreiro.