O Sertão do São Francisco e o Recôncavo baiano se encontraram com a folia soteropolitana, nesta segunda-feira (23), no Campo Grande. O trio “No Interior da Folia” passou pelo circuito Osmar, animado pelos grupos Matingueiros, de Juazeiro, e Gêge Nagô, de Cachoeira, além dos cantores Guda Monteiro e Ulisses Castros, de Santo Amaro da Purificação.

A banda Matigueiros, que tem em seu currículo a pré-indicação do Grammy Latino 2007, na categoria música regional, apresentou o melhor da música do São Francisco. Entre cocos, cirandas, xaxados e forró, o grupo cantou o ijexá Guia dos Ventos, em referência aos afoxés, os homenageados do Carnaval 2009.

O casal Olímpia Filha e Robson de Oliveira há 11 anos vem de Itapetinga para curtir o Carnaval de Salvador. Eles adoraram encontrar com a cultura do interior no meio da folia. “Maravilhoso. Isso é que é dar espaço à diversidade da Bahia”, disse Olímpia. Os dois já conheciam o som da banda Matingueiros, que se apresenta sempre em Petrolina, e aproveitaram para dar outras dicas de atrações para o Carnaval.

Diversidade

Outra dupla animada é formada pelas foliãs Maria Augusta, 56 anos, e Jane Maria dos Santos, 70 anos. Carnavalescas desde o tempo do pierrot e “de quando as crianças ainda tinham medo de careta”, elas se divertiram durante a passagem dos grupos do interior, enquanto aguardam a chegada de bloco. “É com esse que eu vou. Ótima iniciativa de mostrar a riqueza da Bahia. Carnaval tem que ter tudo”, dizia a Maria Augusta, sem parar de dançar.

O cantor Ulisses Castro mostrava-se feliz com a possibilidade de tocar a música do Recôncavo no Carnaval. “A Bahia é um caldeirão de ritmos. Preparamos sambas e chulas de Santo Amaro para homenagearmos nossa grande representante, a sambista Edith do Prato, que nos deixou este ano”, explicou.

Outro filho da cidade, Guda Monteiro, mora na Itália há 15 anos, onde vem divulgando a música brasileira, em especial a baiana. “Os italianos, como todos os europeus adoram nossa música. Há uma grande receptividade para o nosso trabalho na Europa”. No trio, Guda apresentou suas versões em samba-reggae de músicas dos Novos Baianos e Tim Maia, suas grandes referências musicais.

Afro-religioso

O vocalista Márcio Duarte, da banda Gêge Nagô, de Cachoeira, define o grupo como ‘um coral afro-religioso’. “Nos inspiramos nas canções dos Tincoãs e em cantos de candomblé e samba de roda”. Mateus Aleluia, último remanescente dos Tincoãs, é um dos integrantes do Gêge Nagô, que interpreta também canções autorais.

Para o Carnaval, o grupo trouxe muitos afoxés, em homenagem aos Filhos de Gandhy. “O Recôncavo é tão perto de Salvador, mesmo assim é pouco valorizado. Essa é uma oportunidade inédita”, acentuou.

Sozinha, em plena Avenida, a comerciante, Angela Dantas, 55 anos, se divertia com o que ela chama de ‘atração mais cultural’. “O Carnaval precisa mais disso, de conteúdo, de história, como esses artistas que, com suas danças e roupas, revelam a cultura da Bahia.