Beatles, Santana, Caymmi, Galvão, Moraes Moreira e sambas de roda de domínio público. No Carnaval Pipoca e no Carnaval Ouro Negro, organizados pela Secretaria Estadual de Cultura, com apoio da Bahiagás e Embasa, tem lugar para todos os ritmos e todos os foliões. “Há espaço para todo mundo, para todas as tribos, como disse, hoje, um jornal”, festejou o bancário Sérgio Telles, 46 anos, lembrando da manchete do Correio da Bahia no último sábado (21): “Folia para todas as tribos no circuito”.

Telles, em companhia de amigos, todos na faixa dos 40 aos 50 anos, assistia, empolgado, a apresentação do trio do Recôncavo, com Mariene de Castro, Roberto Mendes, Raimundo Sodré e convidados, por volta das 19h, no Campo Grande, à espera da passagem dos trios de Armandinho, Dodô & Osmar e dos Novos Baianos.

O samba de raiz do Recôncavo fez dançar desde crianças até a terceira idade, com a cadência e a malemolência características da Bahia ‘de Todos os Santos’.

No trio do Samba do Recôncavo, elogios à ação do Governo do Estado em abrir espaços para a diversidade de ritmos e preservar as tradições da música baiana, oferecendo trios elétricos e som de qualidade.

Em clima de show, os irmãos Macedo (Armandinho, Aroldo, Betinho e André) e banda faziam o aquecimento na entrada do Corredor da Vitória, tocando Beatles, Santana e músicas clássicas em ritmo trieletrizado, ou “os populares mais clássicos e os clássicos mais populares”, como disse Caetano Veloso na contracapa de um dos discos do Trio (Jubileu de Prata).

A reação do público aos acordes dos irmãos Macedo ia da apreciação respeitosa dos amantes do rock à empolgação de adolescentes que foram criados em um Carnaval sob o domínio da “Axé Music”, passando pela nostalgia dos que “pularam” muitos carnavais ao som de frevos.

Álvaro Garcia, 21 anos, componente de uma banda de pagode-axé, como ele mesmo descreveu, assistia, curioso, a apresentação de Armandinho, Dodô & Osmar. “É diferente; é o carnaval do seu tempo, não é?”, disse, questionando o repórter.

“Ancorado”, segundo suas próprias palavras, no Campo Grande, o músico Carlos Barbosa, 39 anos, prometia só sair do lugar depois que a última atração passasse, já na madrugada deste domingo (22). “Já vi samba de roda, guitarra baiana e só saio daqui depois que os Novos Baianos passarem”, declarou, elogiando os trios independentes.