Homens, mulheres, jovens, idosos, morador da cidade ou vindo até mesmo de outro estado. Catador de latinha não tem perfil específico, principalmente durante o Carnaval de Salvador. Em comum, a atividade de recolher, nos circuitos da maior festa popular, as latas de cerveja e refrigerante. Um trabalho pouco reconhecido, mas essencial para o bom andamento da folia.

Para buscar identificar o perfil desse trabalhador, a Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), por meio da Superintendência de Economia Solidária (Sesol) cadastrou, nos primeiros dias da festa, todos os catadores que procuraram uma das quatro unidade de apoio, instaladas no Largo Dois de Julho, Barra, Ondina e Politeama.

Em três dias, foram cadastrados mais de 2 mil trabalhadores, que receberam kits contendo fardamento completo (duas calças, duas camisas, um boné, um par de luvas, um par de botas e protetores auriculares), crachás de identificação e acesso a três refeições diárias.

Com uma família de cinco pessoas, todas alojadas em uma barraca, próxima ao circuito Osmar (Campo Grande), Romilson Silva, catador de latinha há mais de 15 anos, declarou que a alimentação foi o grande diferencial este ano, pois é um gasto a menos para os catadores.

“Eu sempre venho trabalhar no Carnaval e como ficamos alojados em uma barraca não tínhamos como fazer a nossa comida, o jeito era comprar. Às vezes, o que vendíamos não dava nem para pagar a refeição. Esse apoio está sendo fundamental para que possamos aumentar a nossa margem de lucro”, afirmou Romilson.

Desempregada há três meses e com quatro filhos pequenos, que ficaram sob os cuidados de uma vizinha, Cecília Marques, 36 anos, está trabalhando como catadora de latinha pela primeira vez e afirmou que não imaginou que teria um apoio tão significativo do Governo do Estado.

“Vim catar as latinhas porque acredito que é um trabalho digno como outro qualquer, mesmo sabendo que as pessoas nos discriminam. Para mim foi muito bom porque tinha medo de não conseguir juntar muita coisa e arrecadar pouco dinheiro, mas quando recebi a farda e as refeições me tranqüilizei, pois agora o que arrecadar será todo para levar para a minha casa. Espero que essa ação aconteça sempre”, declarou Cecília, que mora no Vale do Matatu.

Os catadores de latinha cadastrados pela Setre, além dos benefícios já adquiridos para o Carnaval, terão acesso a cursos de qualificação ao longo do ano, para que se organizem e assegurem os seus direitos como trabalhadores.