Diga não à Monilíase. Esse é o tema do segundo encontro que a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura (Seagri), participa até esta quinta- feira (12), no auditório do Centro de Pesquisa do Cacau (Cepec), no município de Itabuna.

O objetivo é definir o plano de contingência para evitar que a Monilíase adentre nas regiões produtoras de cacau, principalmente no sul do estado, que representa 85% do cacau brasileiro. Membros da cadeia produtiva do cacau e sociedade serão alertados sobre os riscos da introdução da doença na região e esclarecidos quanto aos riscos do fungo.

A Adab apresentará as ações que realizará para manter o estado livre da monília por intermédio do Plano Estadual de Prevenção e Controle da Monilíase do Cacaueiro. Além da Adab, o plano conta com a participação do Ministério da Agricultura, Ceplac, EBDA, Biofábrica do Cacau e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

O Plano de Contingência da Monilíase do Cacau tem como meta a prospecção em todo o estado, visando medidas de urgência em caso de ocorrência de foco, na região cacaueira, e também trabalhar em parceria com órgãos de pesquisa de modo a elaborar plantas tolerantes ao impacto da doença.

O Brasil é indene a esse fungo e, apesar da Bahia ser considerada de baixo risco para contrair a doença, a Adab trabalha de maneira preventiva para defender a cultura cacaueira, pois a depender da intensidade do patógeno, a monilia pode provocar perdas de até 100%, afirma o diretor geral da Adab, Cássio Peixoto.

Na ocasião, Peixoto ratifica a importância de qualificar os treinamentos de identificação da doença para os participantes do encontro, pois esse estão diretamente ligados às plantações de cacau e servirão como agentes multiplicadores para manter o estado livre da praga.

A meta da Adab com o curso é atingir todas as regiões produtoras da fruta até o final do ano para capacitar agrônomos e técnicos da Adab a ficarem alertas sobre os riscos da introdução da Monilíase no estado, além de esclarecê-los quanto ao perigo do fungo, considerado mais devastador que a vassoura-de-bruxa.

Segundo o diretor de defesa vegetal da Adab, Armando Sá, a Monilíase já é presente em países das Américas Central e Latina e alto do Amazonas, fronteira com o Peru, e seu avanço é de 100 quilômetros por ano em direção ao Brasil. Portanto, torna-se imprescindível o estado possuir um rigoroso plano de contingência da doença.

Alerta máximo

De acordo com a Instrução Normativa nº 38 do Mapa, a monilia do cacau é considerada de alerta máximo, o que exige ações de prevenção, contenção e controle da praga. A monilia já atingiu países como Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Peru, Honduras e Belize.

O cacau e suas preparações representaram para a Bahia, na balança comercial, um saldo de US$ 116.945, equivalente a 100 mil toneladas somente no ano passado. Em 2008, as importações de cacau alcançaram 54.380 toneladas, o que representa US$ 113.252.