O “Viver”, um serviço da Secretaria da Segurança Pública (SSP) para prestar assistência às vítimas de violência sexual, registrou, entre janeiro e maio deste ano, 370 atendimentos. Foram 330 vítimas do sexo feminino e 40 do sexo masculino – 284 dessas vítimas tinham idade inferior a 18 anos.

De acordo com a estatística do “Viver”, a maioria das ocorrências (107) é de estupro, seguida pelo atentado violento ao pudor (133 casos). A coordenadora do serviço, Débora Cohim, salienta que esses delitos são praticados, principalmente, por pessoas próximas às vítimas como vizinhos, namorados e até mesmo integrantes da própria família, a exemplo do pai, padrasto e avô.

Dos casos atendidos nos últimos cinco meses, 74 têm vizinhos das vítimas como autores. Em seguida, os pais (33 casos), padrastos (31), namorados (24), tios (18), primos (17), amigos (12), irmãos (7), maridos (6), avôs 4). Há uma ocorrência, nesse período, cujo o autor é o próprio filho.

Assistência psicológica

Localizado no andar térreo do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), na Avenida Centenário, o serviço presta atendimento especializado por meio de assistentes sociais e psicólogos, além de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem que atendem 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

“Pelo menos 90% das ocorrências de violência contra a criança e a mulher, acontecem dentro da própria residência”, afirma Débora Cohim, recomendando que se denuncie qualquer tipo de violência, seja física ou psicológica, às delegacias Especial de Atendimento à Mulher (Deam)) e de Repressão aos Crimes Contra Criança e Adolescente (Dercca). Em todas as faixas etárias, o maior percentual de atendimentos no Viver é relativo a estupros.

A violência sexual pode dar origem a danos físicos e psicológicos, que exigem intervenção imediata como lesões, infecções, gravidez indesejada e os riscos de contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Em grande parte dos casos, essa agressão resulta em problemas psicológico, como depressão, idéias suicidas, vergonha, medo e culpa. “A assistência às vítimas de violência sexual exige um cuidado especial, já que elas chegam “muito fragilizadas” à sede do “Viver”, observa a coordenadora.

Qualquer vítima de violência sexual, independente de gênero ou idade pode procurar o serviço. O acompanhamento das vítimas não tem prazo definido. Alguns precisam de um tempo menor – entre um a dois meses -, mas outros são assistidos por um período maior. O “Viver” recebe denúncias e presta orientação pelo telefone 0800-284-2222.