O Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) recebeu, nesta segunda-feira (30), da Secretaria Estadual da Educação (SEC), cerca de duas mil cartilhas para usar na alfabetização de duas mil pessoas, este ano, por meio do programa cubano "Sim, eu posso!".

O MST pretende também alfabetizar outras cinco mil pessoas pelo programa Topa – Todos pela Alfabetização. A meta do movimento é beneficiar 15 mil assentados nos próximos quatro anos, no intuito de erradicar o analfabetismo, que atinge o percentual de 28,9% da população dos assentamentos e acampamentos no Estado. Para viabilizar o programa Sim, eu posso!, a SEC entra com o material didático e audiovisual. O MST possui hoje cerca de 10 mil famílias assentada e 20 mil acampadas.

O Movimento aderiu ao Topa 2008 e pretende fechar 300 turmas. A idéia é conseguir, utilizando o programa do Governo do Estado, a inserção nas localidades que não possuem infra-estrutura para as ferramentas tecnológicas usadas pelo método de alfabetização cubano.

Para a coordenação de educação do MST na Bahia, Djacira Maria de Oliveira Araújo, o Topa representa um importante trabalho no sentido de impulsionar a educação no campo. “A parceria compreende o processo de desenvolvimento que perpassa pela elevação do nível de escolarização dos assentados. A alfabetização é um direito que por muito tempo foi negado à população do campo”, avalia.

Ela considera fundamental, nesse processo, a parceria do governo com os movimentos sociais. O coordenador de Educação no Campo da SEC, Humberto Torres, também destaca a importância da parceria. “O MST é importante porque conhece a realidade do campo. Portanto, não haveria ninguém melhor para nos apoiar, dando apoio logístico e pedagógico. Além de erradicar o analfabetismo, nossa meta é fincar o homem no campo”, defende.

Já o coordenador de mobilização e políticas institucionais do Topa, Jonas Nascimento dos Santos, ressalta a experiência que o movimento possui na educação como um todo. “O MST atua em diversas áreas da educação. Então, vejo essa parceria como uma troca. Os 5 mil que eles querem alfabetizar representa para nós uma soma muito significativa, principalmente porque é no campo onde se concentra o maior percentual de analfabetismo”, enfatiza.

Os esforços da secretaria em viabilizar o Sim, eu posso! foram reconhecidos também pelo assessor cubano do programa na Bahia, José Eugênio Moreira Iglesias. “Sem o apoio da secretaria seria muito mais difícil. Essa é uma demonstração clara de que o governo é sensível a causa”, avaliou. O programa cubano usa um método baseado na vinculação dos números com as letras, constituindo, assim, a ligação com um elemento motivador e facilitador do aprendizado em um curto espaço de tempo.