Mais de 700 índios da tribo Pataxó da Aldeia de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, a 755 quilômetros de Salvador, estão cadastrados no Programa Estadual de Inclusão Sociodigital. Todos eles participam ou já integraram as 17 oficinas de capacitação realizadas desde abril de 2007 no Centro Digital de Cidadania, que fica na aldeia.

Rosângela Pataxó, 24 anos, freqüenta a oficina de informática básica há um mês. Nesse período, ela já aprendeu a digitar textos, trabalhar com slides e acessar a internet. A índia afirmou que com a capacitação espera aproveitar a Rede Mundial de Computadores para fazer amigos, trocar e-mails e tentar uma vaga no mercado de trabalho.

Tiago Neves, 13 anos, que também integra a tribo, conta que a informática ajuda nos trabalhos escolares. Estudante da 5ª série do ensino fundamental, ele explica que faz pesquisas com o auxílio da internet e também se diverte com jogos e sites voltados para o entretenimento.

Já Laércio Pataxó, 20 anos, declara que a internet o ajudou a conhecer melhor outros povos indígenas de diversas regiões brasileiras. Ele, que cursa o ensino médio, acredita que o conhecimento da informática vai contribuir para aprovação no vestibular, daqui a dois anos.

A coordenadora do Programa de Inclusão Sociodigital em Santa Cruz Cabrália, Ana Vilma Azevedo, relata que os índios possuem uma grande capacidade de assimilação e que rapidamente dominam a linguagem digital. Segundo ela, cerca de 340 pessoas da tribo já concluíram as oficinas realizadas desde o ano passado.

Ana Vilma destaca a parceria entre o governo estadual e a prefeitura local para viabilização do Centro Digital de Cidadania. “A união permite a inclusão de outros cursos relacionados à área de informática e garante uma boa formação para os índios”, diz.

Cartilhas de atividades

A instrutora do centro localizado dentro da aldeia, Anna Carolina Paternostro, observou que, além do material didático oferecido no programa, são entregues cartilhas para que os índios façam atividades em casa e memorizem as opções de comando das telas dos computadores.

Vilma Pataxó, 40 anos, garante que após dois meses de oficina foi aberta uma longa porta para o mundo. “Hoje eu me sinto como se estivesse sido alfabetizada novamente, porque o universo da informática é apaixonante”, afirma a índia, que já inscreveu a filha de nove anos no programa.