A apresentação de novas tecnologias de irrigação, que permitem o uso racional da água, foi a principal atração na manhã desta quarta-feira (4) do Centro Cultural de Barreiras, durante o último dia do Seminário Governança das Águas: Tecnologias de Irrigação para o Uso Sustentável.

Na palestra, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e professor do mestrado da Universidade Federal do Recôncavo, Eugênio Ferreira Coelho, mostrou experiências desenvolvidas pela Embrapa que reduzem em até 50% o consumo de água, em culturas de frutas e mandioca.

A palestra Tecnologias Inovativas para Irrigação deu também um panorama sobre o desperdício de água na atividade agrícola e sobre a necessidade de mudanças nos sistemas de irrigação. Segundo os dados apresentados pelo palestrante, a agricultura irrigada consume 70% da água utilizada no planeta. Ele citou um estudo que aponta o grande consumo de água para determinados produtos agropecuários. Para a produção de um quilo de batata, são necessários mil litros de água e para a mesma quantidade de milho e de carne bovina, são gastos 1,4 mil e 42 mil litros de água, respectivamente.

Entre as técnicas de irrigação experimentadas na cultura de frutas, na região de Cruz das Almas, o pesquisador falou sobre o uso da transpiração, que representa o consumo mínimo de água para manter a planta em bom estado hídrico; técnica de regulação de déficit de irrigação, que reduz os níveis de água em determinadas fases do crescimento das plantas; e o molhamento parcial de sistemas radicular, que reveza a irrigação entre cada lado do plantio, por determinados períodos. O aumento do número de plantas por área também foi uma alternativa apresentada por Eugênio Ferreira Coelho.

A superintendente de Irrigação da Secretaria de Agricultura e Irrigação (Seagri), Silvana Costa, que foi debatedora da palestra, pondera que, apesar de existirem diversas técnicas, na prática, a aplicação delas é difícil para a agricultura familiar, pela falta de recursos. “O sistema de goteamento por microaspersão, por exemplo, tem um custo de cerca de R$ 5 por hectare”, explica. Ela salienta que existem programas na Seagri para melhoria da irrigação por parte dos pequenos agricultores.

O representante da Agência Nacional da Água (ANA), Wilde Gontigio, afirma que o problema principal da irrigação no Brasil não é a falta de tecnologia, mas sim como aplicá-las. “A Embrapa e o Brasil possuem tecnologias agrícolas de ponta, que são notórias em todo mundo e podem ser importadas inclusive para Israel, que é referência mundial em técnicas de irrigação”, explica. “Temos também a melhor legislação para recursos hídricos do mundo, mas estamos demorando para colocar isso em prática”, completa Gontijo.