O Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) pode se tornar o primeiro colaborador brasileiro da Organização Mundial de Saúde (OMS) na capacitação e treinamento de profissionais para tratamento de diabetes. Só pela indicação, a OMS está investindo US$ 50 mil dólares no centro para o treinamento de profissionais de cinco estados brasileiros e de cinco países de língua portuguesa.

Na Bahia, profissionais de 70% dos municípios já foram capacitados pelo centro. Os pacientes dos locais que contam com atendimento especializado mostraram redução significativa nas complicações. Entre 2005 e 2006, as internações reduziram em 65% na região de Cruz das Almas, por exemplo.

O Cedeba presta assistência gratuita e acompanhamento médico a 40 mil pacientes diabéticos ou portadores de outras doenças endócrinas como obesidade e disfunções da tireóide. Lá o paciente encontra médicos de todas as especialidades que se relacionam com as doenças endócrinas como oftalmologista, nutricionista, angiologista, dentista, cardiologista, entre outros. A equipe é formada por 50 médicos e 200 funcionários.

A diarista Joana Angélica Almeida, 58 anos, tem diabetes há 16 anos e desde 1994 freqüenta o Cedeba. Com o acompanhamento adequado ela se livrou dos sintomas que tanto a incomodavam. “Eu acordava com formiga na cama, sentia muita sede e urinava muito. Agora eu controlo a alimentação, tomo insulina e vivo normalmente”, disse.

A vendedora Maria Oélia Reis, 36 anos, descobriu a pouco tempo um nódulo na tireóide. O Centro de Saúde onde ela foi atendida indicou que o tratamento fosse feito no centro. “Foi muito bom porque aqui eu passei por vários médicos e eles descobriram que o nódulo é benigno e eu só preciso monitorar”, disse a vendedora.

No Brasil só há dois centros estaduais de média complexidade como o Cedeba, enquanto as estatísticas indicam que no país 7% da população na faixa etária entre 30 e 79 anos, e 20% da população acima de 70 anos tem diabetes. Uma campanha nacional para detecção de diabetes, realizada em 2001, mostrou a existência, na Bahia, de cerca de 15% de suspeitos de diabetes na população acima de 30 anos.

A diretora do Cedeba, Reine Chaves, lembrou que o diabetes está se tornando uma epidemia mundial. “A complicação do diabetes pode levar a doenças renais, cegueira, diálise, amputação de membros inferiores e complicação cardiovascular. Profissionais especializados são capazes de controlar a doença e evitar as complicações”, disse.

Criado em 1994, o centro baiano ganhou destaque em 2003 quando a diretora Reine Chaves apresentou o trabalho desenvolvido lá no congresso da Federação Internacional de Diabetes, que aconteceu em Paris. Após os contatos e avaliações preliminares ,a OMS, a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde enviaram representantes para avaliar a possibilidade de o centro atuar na capacitação de profissionais.