Dar apoio à comunidade acadêmica e às empresas que investem no desenvolvimento tecnológico do setor de gás natural é uma das medidas tomadas pelo governo da Bahia para resolver o problema de matrizes energéticas, zelando, ao mesmo tempo, pela conservação do meio ambiente. Para isso, a Conferência da Indústria de Gás Natural, promovida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com a Bahiagás, e o Seminário Nacional de Energia estão sendo realizados simultaneamente, até sexta feira (11), no Bahia Othon Palace Hotel, reunindo cerca de 400 participantes.

Os eventos terão como ponto máximo a entrega do I Prêmio Bahiagás de Inovação. Mais de 50 trabalhos de diversos estados vão concorrer a cerca de R$ 250 mil nas categorias acadêmica, projeto de pesquisa e empresarial. Os melhores projetos acadêmicos receberão até R$ 5 mil nas subcategorias nível médio, graduação, mestrado e doutorado. Três projetos de pesquisa relativos a gás natural e energia serão contemplados com o financiamento de R$ 70 mil, cada um. A premiação inclui também troféus a empresas de pequeno, médio e grande portes.

A engenheira química Isabel Sartori, 24 anos, está fazendo mestrado em Engenharia Industrial na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e tem dois trabalhos concorrendo (um de pesquisa e outro acadêmico).

“Esse incentivo é muito importante para toda a comunidade científica, porque traz mais conhecimento e estímulo para continuarmos fazendo esse tipo de trabalho”, afirmou Isabel. Ela disse que, caso seja contemplada, vai poder desenvolver seu trabalho. “De outra forma, será mais fácil conseguir um financiamento para levar o trabalho adiante”, destacou.

Ferry-boat

Já na parte de palestras, um dos temas abordados foi a utilização do gás natural em embarcações, especificamente no Ferry-boat, projeto que deve ser implantado ainda este ano, segundo o coordenador do projeto desenvolvido em uma parceria entre a Bahiagás e a Petrobrás, Celestino Boente. “Pretendemos substituir 80% do diesel usado por gás, tendo ganhos na melhoria do serviço prestado, rapidez no transporte e, principalmente, na questão ambiental, já que o produto é bem menos poluente”, explicou.

Para o presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, a iniciativa terá continuidade e vai beneficiar o setor. “Com a realização desse seminário e da conferência, estamos fomentando o debate sobre o assunto e, a partir do Prêmio Bahiagás de Inovação, poderemos melhorar a eficiência na produção e na distribuição do produto e também na sua utilização, além dos ganhos ambientais”, declarou.

Ele lembrou que foi na Bahia que nasceu a indústria brasileira de petróleo e gás natural, sendo que esse último representa 27% de toda a energia utilizada na indústria do estado. E disse que com a Bacia de Manati a Bahia passou a produzir cerca de 11 milhões de metros cúbicos/dia, exportando para o Nordeste uma média de 1,4 milhão.

“É um mercado em expansão e temos toda uma perspectiva para 2009 e 2010, quando o gás natural canalizado vai chegar ao extremo sul da Bahia, região muito promissora e que deve atrair novas empresas e desconcentrar o crescimento industrial no estado”, avaliou.